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Jeito Google e Jeito Apple de desenvolver produtos

Esta semana comprei a revista Fast Company de março, fazia um bom tempo que não a lia e o tema da capa era super interessante “The World’s 50 most innovative companies“, claro que na capa esta o case do Google. Ao ler a matéria “The Faces and Voices of Google“, achei uma frase dita pela Marissa Mayer que achei muito foda e tem muito a ver com o que eu penso.

“There are two different types of programmers. Some like to code for months or even years, and hope they will have built the perfect product. That’s castle building. Apple is great at it. Others prefer to have something working at the end of the day, something to refine and improve the next day. That’s what we do. The hardest part about indoctrinating people into our culture is when engineers show me a prototype and I’m like, ‘Great, let’s go!’ They’ll say, ‘Oh, no, it’s not ready.’ I tell them, ‘The Googly thing is to launch it early on Google Labs and then to iterate, learning what the market wants–and making it great.’

Some companies think of design as an art. We think of design as a science. It doesn’t matter who is the favorite or how much you like this aesthetic versus that aesthetic. It all comes down to data.”

Eu definitivamente penso em desenvolvimento de produtos com esta filosofia, (apesar de recentemente começar a gostar muito dos produtos Apple:-) acredito muito na premissa que li em uma entrevista do J Allard (head de games da Microsoft e responsável pelo projeto do Xbox) “if it’s a possibility that you may fail, then fail fast and learn“. Desenvolver produtos rapidamente e colocar estes na rua para que possamos pegar o feedback dos usuários o quanto antes e se for necessário fazer ajustes e incrementar mais features ou retirar features que não atendem as demandas dos usuários, é neste metodo mais “Googly” que eu acredito, desenvolvimento continuo e iterativo, com melhoria contínua e constante.

Ficar sentado em cima de um problema pensando anos como resolvê-lo da forma perfeita definitivamente não faz o meu tipo.

Para finalizar mais uma frase Googleneska da matéria, agora de um dos diretores de engenharia David Glazer, responsável pelo desenvolvimento do OpenSocial:

“…When in doubt, do something. If you have two paths and you’re not sure which is right, take the fastest path. What’s true in physics about objects in motion is true when you’re creating a product. It’s easier to keep moving and change course than when you’re sitting and thinking and thinking.”

Cone da Incerteza e SCRUM

Nos últimos meses eu tinha como foco implementar SCRUM na minha equipe, tudo começou com o Phillip Calçado me explicando o conceito de SCRUM, seguido de um curso com o Bloris Gloger que ele e alguns da equipe fizeram, e depois entramos em um caminho sem volta e nos focamos em implementar o SCRUM da melhor forma possível no nosso time. Acho que posso dizer que estamos muito bem neste momento, claro que ainda faltam detalhes mas o time esta andando e esta entregando software de qualidade a cada ciclo de desenvolvimento.

A próxima meta é escalar o SCRUM para toda a empresa, enquanto estava lendo sobre o assunto acabei me desviando e cai em alguns artigos muito interessantes que discutiam um tema que afeta todo e qualquer projeto de desenvolvimento de software: como estimar com precisão o tempo total para se entregar um software em produção?

Acabei caindo na teoria do Cone da Incerteza, que explica o fenômeno onde nós da indístria de software quando iniciamos um novo projeto não fazemos a menor idéia de quando vamos terminá-lo. Quanto mais o tempo passa e mais perto do fim melhor e mais preciso são as nossas estimativas, ou seja, isso culmina na conclusão de que você só tem 100% de certeza de que terminará o projeto apenas um dia antes de efetivamente terminá-lo.

Esta figura é facilmente associada ao desenvolvimento de um software, ou seja, se começa um projeto sem ter a menor idéia do tamanho dele ai vai se detalhando, escreve-se montanhas de papel com requisitos, desenha-se milhões de telas no Photoshop para fechar o design do projeto, ai finalmente depois de alguns meses é que se começa a escrever software efetivamente. Nestes casos existe uma luta constante para afunilar o cone o mais rápido possível. O grande erro das empresas é fazer um “commitment” com um projeto quando ele esta nas suas etapas iniciais, ao fazer isso elas estão aceitando uma margem de erro de 2x ou 4x nas estimativas, e é neste momento que o projeto começa a ruir.

O que é interessante em metodologias ágeis, como o SCRUM por exemplo, é que podemos observar este fenômeno invertido, explicando melhor, se vc perguntar a um desenvolvedor que já esta envolvido em um projeto o que ele consegue entregar nas próximas duas semanas a estimativa com certeza será bem precisa, mas se perguntarmos o que ele consegue entregar daqui a 6 meses, não fará a menor idéia e vai chutar uma estimativa qualquer pois não há como ter certeza do que irá acontecer. A única certeza que podemos ter em qualquer projeto de software é de que as coisas vão mudar, os requisitos, o design, as funcionalidades e o grande trunfo dos métodos ágeis é de entregar software funcionando em ciclos constantes e curtos e com isso se adaptar as constantes mudanças.

Então em um ambiente ágil temos sempre mais certeza sobre as estórias que estão priorizadas para o próximo sprint ou estamos trabalhando neste momento e vamos melhorando nossas estimativas e aumentando a precisão delas conforme o Product Backlog vai sendo entregue, mas sempre com uma visão muito clara do curto prazo e menos clara para o que esta no fim do Product Backlog. Lembrando que as estórias que estão sendo desenvolvidas no Sprint são as de maior ROI para o projeto.

Sendo assim o Cone de Incerteza aplicado a uma equipe que utiliza SCRUM teria este formato:

Reverse Clone

Garantindo datas de entrega em projetos SCRUM

Question MArkUma situação muito comum no dia a dia de diversas equipes de desenvolvimento de software e como não deveria deixar de ser também acontece aqui na Globo.com, é quando as equipes de marketing ou produto precisam de uma data garantida para o lançamento de um certo projeto, no entanto, estas mesmas equipes se sentem inseguras quando o ScrumMaster esclarece que o time é que vai estimar o que cabe em cada Sprint  e que cada time possui uma velocidade relativa contada em pontos de complexidade. Nessa hora elas entram em um estado de transe e voltam a pedir o que sempre pediram e a trabalhar da maneira como sempre trabalharam, Ken Schwaber chama este reflexo de “Muscle Memory.

Explicando melhor, quando as pessoas estão sobre pressão em um momento em que estão tentando alguma coisa nova (como por exemplo tocar um projeto usando SCRUM), na primeira dúvida que surge elas tendem a querer voltar a fazer as coisas como sempre fizeram, para muitas pessoas é realmente difícil aceitar que o Time é que define a velocidade de entregas, e neste momento elas requisitam alguma coisa que lhes dê uma segurança de que aquele software será entregue com certeza na data definida, é nessas horas que ouvimos o famigerado pedido “Poxa, não dá pra vcs fazerem um Project bonitinho com as datas e tal”, como se um project fosse o certificado de garantia de que o Time vai entregar alguma coisa em alguma data. Eu cada vez mais acredito que cronogramas não funcionam e não tem como garantir nada.

Em uma situação dessas, em que um produto precisa de um determinado set de funcionalidades e onde está se pedindo uma data formal de entrega, uma solução possível seria adicionar uma margem de segurança (ou buffer) nas estimativas para garantir que as estórias do projeto estarão prontas com certeza e, em seguida, verificar quantos Sprints são necessários para realizar esta entrega.

Este buffer é feito usando as estórias e suas estimativas de complexidade, durante o planejamento de um Sprint o Time evolui sua avaliação a respeito da complexidade de implementação das estórias com base no maior esclarecimento que vai acontecendo nas reuniões do Sprint.

Sendo assim podemos presumir que em um primeiro momento, quanto estamos lendo uma estória pela primeira vez, teremos um grau de precisão na avaliação da complexidade relativamente baixo, por exemplo 50%. Conforme as dúvidas e a arquitetura do sistema a ser utilizada são esclarecidos esta precisão aumenta até que no Sprint Planning 1  deve-se ter, idealmente, uma precisão sobre a estimativa de complexidade em torno de 90%. São estes dois dados que vamos utilizar a estimativa com precisão 50% e a estimativa com precisão 90% para calcular o buffer.

Vamos imaginar o seguinte Sprint Backlog com 4 estórias, e que estas foram estimadas pelo time nas reuniões de levantamento de estimativas(50% de precisão) e posteriormente no Sprint Planning 1(90% de precisão).

Estimativas projeto SCRUM

Com estes dados em mãos agora podemos calcular o tamanho do projeto adicionando o buffer:

 Complexidade do Projeto = Est. 50% + [(Delta)/2]

onde Delta/2 é o buffer.

Usando os números da tabela acima temos que a complexidade do projeto = 28 +(40/2) = 48 e o tamanho do buffer é de 20 pontos de complexidade, ou seja, quanto maior é a diferença entre a primeira estimativa e a estimativa mais precisa (90%), maior será o buffer.

OK, agora que calculamos o buffer podemos calcular quantos Sprints serão necessários para termos certeza de que o produto será entregue contendo estas 4 estórias. Supondo que a velocidade do time seja de 10 pontos de complexidade por Sprint, então vamos precisar de pelo menos 5 Sprints (48/10) para entregar estas 4 estórias com uma boa margem de segurança.

Como os Sprints possuem duração fixa, na Globo.com por exemplo giram em torno de 15 dias, então podemos garantir que em pelo menos 75 dias (15 dias x 5 Sprints) o produto estará entregue com todas as funcionalidades.