Archive for 'carreira'

California here I go!

Depois de pouco mais de dois anos e meio trabalhando no Yahoo! no Brasil, agora chegou a hora de partir para novos desafios. Não, não estou saindo do Yahoo!, fui chamado para expandir minhas responsabilidades e assumir algumas novas equipes na sede do Yahoo! nos Estados Unidos.

Nestes mais de dois anos trabalhando em São Paulo, tive o prazer de montar uma equipe que considero única, onde conseguimos montar um projeto de trabalho que permite que todos tenham uma voz e onde todos podem ajudar a construir e direcionar o que fazemos. Esta equipe ganhou o respeito internacional do Yahoo!, e ajudou muito para esta minha oportunidade de ir para os Estados Unidos.

É sempre muito difícil fazer grandes mudanças e tomar grandes decisões, em geral temos uma certa aversão a fazer estas mudanças e neste caso é uma tremenda mudança tanto fisica quanto cultural, para mim e minha família. Quando tomei a decisão de deixar a Globo.com e vir para o Yahoo! esta foi um decisão super difícil, afinal eu ajudei a construir um pouco da cultura da Globo.com desde seu inicio.

Ao se deparar com estas situações, o que aconselho é que vc faça a seguinte pergunta: “Eu continuo aprendendo coisas novas por aqui, continuo com desafios legais?”. Apesar de ter grandes desafios na Globo.com, eu tinha um plano de ter uma carreira internacional e infelizmente a Globo é uma grande empresa, que tem um alcance imenso, mas que esta limitada ao Brasil. Este foi um dos motivos de eu deixar a Globo.com e assumir o desafio de trabalhar no Yahoo!, e se tem uma coisa que foi e esta sendo excelente aqui é o aprendizado, tenho aprendido muito em diversas frentes, plataformas e tecnologias de um dos maiores sites do mundo, desenvolvimento de Produto, Marketing, Community Management e uma impressionante Diversidade Cultural, tive e tenho o prazer de trabalhar com pessoas de todo o mundo (literalmente), coisas que eu dificilmente aprenderia em outras empresas. Este é um aspecto importantíssimo para refletir em sua carreira, a partir do momento que vc não aprende mais nada de novo, já é a hora de você experimentar novos desafios ou buscar coisas novas na própria empresa.

Apesar de ser realocado para o Yahoo! nos Estados Unidos, continuo sendo responsável pela equipe no Brasil, então vou continuar envolvido com nossos projetos em por aqui e claro que continuarei a vir para o Brasil frequentemente.

Nos vemos na Califórnia.

Porque odeio ferramentas de gerenciamento

Para as pessoas que me conhecem melhor, esse título não é nenhuma novidade, na verdade eu repito esta frase de tempos em tempos só pra me lembrar do quanto eu odeio ferramentas de gerenciamento de projetos. Também já  adianto que este post será grande e nem todos vão concordar tenho certeza.

Em todos os eventos relacionados a desenvolvimento de software sempre tem uma pergunta da platéia sobre que ferramentas são usadas para gerenciar as equipes que usam métodos ágeis. Algumas estão aqui:

- Como gerar relatórios e ver como estão as coisas?
- Como ter certeza de que um release será entregue? Eu consigo ver isso quando uso o M$ Project!
- Como podemos controlar as pessoas que são alocadas parcialmente em diversos projetos sem uma ferramenta?

Ai quando penso nas respostas vejo que o título deste post não esta sendo verdadeiro, na verdade não é que eu não goste de ferramentas de gerenciamento, eu não gosto de ferramentas de uma forma geral. Isso é tão verdade que tenho uma resistência muito grande para aceitar tools nas minhas equipes, isso aconteceu recentemente quando minha equipe no Yahoo! sugeriu usarmos o Campfire para registrar os bate papos da galera e os links que são trocados, assim todos podem ter um log do que aconteceu durante o dia. Tenho uma grande preocupação de que uma ferramenta vá efetivamente adicionar valor ao trabalho das pessoas e não apenas gerar mais um passo no dia a dia delas que não seria necessário se não fosse o relatório para o gerente ou diretor, que na maioria das vezes nem lê estes relatórios.

O que mais me chateia neste tipo de pergunta é que existe um fato que muitas vezes não admitimos,  as pessoas preferem acreditar muito mais no que uma ferramenta mostra do que se um “humano” apresentasse a mesma informação. As pessoas preferem conversar por um chat ou IM do que levantar e ir conversar cara a cara ou no pior dos casos por telefone. Com o decorrer dos tempos e a popularização de diversas tecnologias passamos a nos apoiar nessas ferramentas de forma desmedida, em detrimento do relacionamento e do trabalho em equipe. Neste ponto acho importante fazer uma mea culpa, eu sou viciado em tecnologia e uso meu iPhone o dia todo, o tempo todo, twittando, mandando SMSs e navegando, mas isso não me tira o dever de interagir com meus colegas e amigos entre uma twitada e outra :-)

Quando falamos em desenvolvimento ágil estamos falando de pessoas (vejam o vídeo do Danilo Bardusco),  nestas equipes preferimos usar a comunicação verbal do que documentos com happy paths e paths alternativos e preferimos desenvolver o que sabemos com clareza do que tentar prever o futuro por seis meses, acredito muito na premissa que li em uma entrevista do J Allard (head de games da Microsoft e responsável pelo projeto do Xbox) “if it’s a possibility that you may fail, then fail fast and learn“.

Voltando a questão de gerenciamento por ferramentas, é importante dizer que nunca trabalhei com equipes espacialmente distribuídas, já vi várias aqui no Yahoo!, mas eu nunca gerenciei uma delas. Então toda a minha experiencia vem de trabalhar com equipes alocadas no projeto, fora quando eu trabalhava com empresas terceiras de três letrinhas, onde experimentei na própria pele o pesadelo das malditas fábricas de software.

Sendo assim, quando desenvolvemos algumas coisas, eu basicamente uso o Quadro branco com post-its ou cartões (como prefere o Phillip Calçado). Mas em alguma situações admito que é preciso gerar algum tipo de report para áreas gerenciais. Na minha opinião não existe nada melhor do que ver o quadro, nada é mais claro para ver como as coisas estão andando do que o quadro com as Histórias, tarefas e o burndown chart.

Atualmente estou usando um Twiki que gera os principais gráficos de acompanhamento do sprint, é exatamente da mesma forma que usava quando trabalhei na Globo.com, lembro que na época existia uma vontade ensandesida de comprar alguma ferramenta para que as equipes pudessem atualizar suas tarefas e assim gerar relatórios fantásticos de custos e performance, bugs por pessoa, por linha de código ou por piscada de olho do desenvolvedor.

O problema na verdade não esta no relatório ou na ferramenta, o problema real é que as pessoas não confiam umas nas outras, e elas se apóiam em tecnologias e ferramentas para se blindar e muitas vezes se armar e poder desmascarar uns aos outros. Agora como é que se pode trabalhar em um ambiente em que não existe confiança, onde as pessoas ficam falando pelas costas umas das outras. Este é O PROBLEMA, e as ferramentas de gerenciamento não resolvem isso, só agravam. Não é pagando US$566.40 dólares por usuário/ano em uma ferramenta que se resolve esse isso, porque nenhuma ferramenta pode arrumar isso, só uma conversa clara, limpa e verdadeira é que pode ajudar a resolver essa situação.

Havendo transparência e confiança, pode-se trabalhar para arrumar os nossos defeitos e outros problemas, afinal de contas somos humanos e não máquinas.

Muitos podem não concordar comigo, não tem problema, acho que todos temos as nossas opiniões e acho legal que tenhamos divergências, mas eu já sofri muito e tentei muito usar ferramentas na minha vida. Mas cansei, elas nunca funcionaram comigo, e olha que já trabalhei com diversas empresas CMM5 e com três letrinhas que são super premiadas internacionalmente e não adiantou, os M$ Projects nunca diziam a verdade e tínhamos sempre que “gambiarrar” o projeto, onde geralmente o que era cortado de cara era a qualidade e as pessoas eram tratadas como utensílios. “Ah este recurso aqui esta alocado 13% em requisitos deste projeto, mas ele atua como tester 35% neste outro projeto aqui” QUEM é que em sã consciência acredita que um humano consegue se controlar desse jeito (13% para um lado, 35% para outro, 26,5% para tal coisa) isso é muito idiota.

Por ter errado muito na minha vida e ter caído no conto da carochinha muitas vezes, pensando que selos e certificados significavam alguma coisa, eu aprendi a ter aversão a ferramentas e processos burocráticos, pesados e principalmente mentirosos. Tem uma frase que uso muito e que ouvi pela primeira vez de um diretor de uma grande empresa de comunicação: “Cachorro mordido por cobra, tem medo de salsicha!“.

Hoje em dia o que mais vale pra mim é estar bem com o que estou fazendo, discutir de forma construtiva com minha equipe e outras pessoas e poder trabalhar com coisas legais, mesmo sabendo que nem sempre fazemos coisas legais 100% do tempo. #prontofalei.

Completando um mês de Purple

Está fazendo pouco mais de um mês que comecei no Yahoo, e finalmente consegui um tempo para falar um pouco de como tem sido estes primeiros dias, tenho que confessar que é muito legal poder trabalhar em uma empresa que faz parte da história de Internet.

A primeira impressão é de que tudo é grande, realmente grande, os projetos de infra-estrutura são projetados para suportar volumes imensos de acessos. Mas uma coisa que impressiona, apesar de nao ser novidade é a extensão do uso de softwares Open Source, desde o óbvio como Linux, FreeBSD, Apache e MySQL até o Asterisk, XMPP e Twiki, este último suporta toda a documentação da empresa mundialmente, e o melhor é que todos usam o Twiki, pessoal de Marketing, Engenharia, Produção, etc. Em algumas empresas as pessoas acham um absurdo se sujeitarem a escrever no Twiki, mas no Yahoo! todo mundo usa.

Outra coisa nova para mim é a questão da distância entre os times, aqui alguns projetos são tocados por times em vários países e algumas vezes em continentes diferentes. Para suportar este ambiente uma série de tecnologias são usadas, mas a que achei mais legal foi o Adobe Connect – pena que não é Open Source, as apresentações e treinamentos acontecem através desta ferramenta e é bem legal, realmente funciona. Mas ainda acho que a distância é um fator importante durante o desenvolvimento de software.

É importante também lembrar que estes últimos anos o Yahoo! iniciou um processo de abertura de sua infra-estrutura, seus dados e suas propriedades para que desenvolvedores possam criar em cima de seu Social Graph e de produtos. Isso vem ocasionando uma série de mudanças internas e de desenvolvimento para suportar esta abertura e tornar o Yahoo! o ponto de partida dos internautas. Esta iniciativa é conhecida como Yahoo Open Strategy ou Y!OS, e as primeiras entregas começaram a ser disponibilizadas recentemente como o o BOSS (Build Your Own Search) que expõe todo index do Yahoo para que qq desenvolvedor faça o que desejar com os resultados, SeachMonkey para criar novas formas de enriquecer os resultados de busca, Social Directory, Contacts/Address Book, Updates, fora todas as outras APIs que continuam disponíveis como Flickr, Delicious, Upcoming, GeoPlanet, YUI, etc. De tudo isso o que acho mais legal é o YQL (Yahoo Query Language), feito pela mesma equipe que criou o Yahoo! Pipes, esta ferramenta vai possibilitar que o Yahoo! seja um grande banco de dados que poderá ser consultado facilmente usando um padrão de queries muito parecido com SQL, muito legal.

Enfim, existem muitas coisas novas e vou continuar postando a respeito, até agora as primeiras impressões são positivas, apesar do momento de pressão pelo qual a empresa vem passando :-)

PS: este post foi quase totalmente escrito através do iPhone com o WordPress app. :-)

Mudança de rumo, agora vou vestir roxo

Depois de mais de 7 anos na Globo.com, chegou a hora de mudar de rumo. Não, não estou saindo do mercado de Internet, nem de desenvolvimento de software para montar um grupo de pagode ou vender produtos Apple. Estou me mudando para São Paulo e me juntando a equipe do Yahoo! no Brasil, estou assumindo uma posiçãoo de gerente sênior de desenvolvimento em um time que preciso montar do zero (mas isso é assunto para outro post). Saio do Azul para o Roxo.

Hoje foi meu último dia e na segunda-feira (01/09/2008) já começo no Yahoo!, na verdade as últimas semanas foram bem pesadas, pois tenho um imenso link afetivo com a Globo.com e com as pessoas que fazem esta empresa. Quando saí­ da RealNetworks em 2001 para me juntar à  Globo.com, eu era apenas um engenheiro, não tinha equipe e sempre trabalhei sozinho. Nestes 7 anos tive o prazer de montar uma equipe sensacional e de trabalhar com alguns dos melhores profissionais de Internet e Tecnologia do Brasil, sem sombra de dúvidas. Nunca me faltaram desafios, nem técnicos, nem gerenciais, nem políticos/relacionamento e todos estes me fizeram crescer e ganhar maturidade como profissional e como pessoa.

O ambiente de trabalho da Globo.com sempre foi excelente, mesmo nas épocas de vacas magras e de bolhas estourando, é uma empresa com alta tolerância a erros e grande “liberdade”, e quando bem usado  é o ambiente ideal para se ter idéias e torná-las realidade. Empresas assim nos dias de hoje são raras.

É importante lembrar que a Globo.com é uma empresa de mídia na Internet, não espere que ela vá desenvolver Orkuts e plataformas de Mapas, o foco é em conteúdo e em tudo o que é possível se fazer em torno desta montanha de conteúdo que as Organizações Globo geram, seja em ví­deo, texto, fotos, etc, adicionando valor a esses assets.

Em um movimento pra tornar a Globo.com uma empresa mais “Internética”, gerou-se diversos fronts de ação e entre eles trazer talentos e profissionais de referência na comunidade de desenvolvimento, como o Phillip Calçado (hoje ThoughtWorks), Guilherme ChapiewskiPeleteiro e mais recentemente Fernando Meyer e Andrews Medina, que vieram juntar forças com as equipes existentes. Passamos a implementar um processo mais ágil de desenvolvimento (Scrum) e estamos caminhando com os ajustes e acertos necessários, mudar não é fácil!

Tive tb o privilégio de fazer parte de alguns dos maiores projetos da Internet Brasileira, Big Brother Brasil (todos os 8), transmissão ao vivo da Copa de 2006, NBA Live, trazer o Blogger.com para o Brasil, construir toda a infra de produção e distribuição de vídeos da Globo.com, o Globo Media Center (atualmente Globo Vídeos), Você na TV Globo e vários outros projetos internos que mantém a máquina funcionando. Foram MUITOS Gbps de tráfego e muitas noites varadas em janelas e montagens de infra e lançamentos. Sem falar nos campeões de audiência como G1.com.br e GloboEsporte.com, onde atuei marginalmente, mas foi super importante para mim.

Mas agora chegou a hora de passar o bastão, e de realizar meus próximos sonhos de infância seguindo humildemente os conselhos de Randy Pausch em “Really Achieving your Childhood Dreams” (este é um vídeo totalmente obrigatório).

Deixo a Globo.com em excelente forma, nas mãos de excelentes profissionais e com a certeza do dever cumprido.

Por fim, quero agradecer mais uma vez a toda equipe WebMedia: Guilherme “sem noção” Chapiewski, Marcello “Animal” Azambuja, Tiago “pac man” Peczenyj, Rafael “Burns” Pereira, Bruno “Boneca” Souza, Tiago “Sergio” Motta, Carlo “ZeD” Caputo, Vitor “Pedro” Pellegrino, Bruno “Dulça” Dulcetti, Caina “Caetano” Nunes, Guilherme “Ganso” Cirne, Bruno “Barney” Carvalho, Carol Caliopio, Thiago “Claudio” Mello, Leo Burla, Diogo Kiss, Anselmo “picanha com fritas” Alves, o recém chegado Paulo “Panoramix” Jeveaux e tb aos ex-WebMedia: Fernando Valente, Luiz Felipe “Henrique” Silva, Marco “the French” Bicudo e Phillip “Shoes” Calçado … e Especial aos velhos amigos Danilo “Picareta” Bardusco, Magno “Coró” Torres, Marco Lucio e Jacques Varaschim.

YOU GUYS ROCK!